Como estudar na Austrália?

Saiba quais são as principais formas de se conseguir um intercâmbio no país e comece a planejar agora mesmo sua viagem.

Por Taiany Gonçalves

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O sexto maior país do mundo em extensão é cobiçado por estudantes de todas as partes do Brasil. A possibilidade de obter a profissionalização e aperfeiçoar o inglês em uma nação que apresenta um ensino de qualidade, temperaturas parecidas com as brasileiras e pontos turísticos maravilhosos desperta a atenção de muitos brasileiros. Não por acaso, o Brasil é o quarto país que mais manda intercambistas para a Austrália.

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Portal G1

Em uma pesquisa divulgada pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS), em julho de 2019, duas cidades australianas foram eleitas entre as dez melhores cidades para se fazer intercâmbio: Melbourne, em terceiro lugar, e Sydney, em nono lugar.

Para a elaboração do ranking foi levado em conta vários critérios, como: o número de universidades de alto nível, a atividade de empregadores, a diversidade estudantil e o custo.

Top 10 Melhores Cidades para Estudar (Ranking QS 2019)

1.    Londres – Grã-Bretanha

2.    Tóquio – Japão

3.    Melbourne – Austrália

4.    Munique – Alemanha

5.    Berlim – Alemanha

6.    Montreal – Canadá

7.    Paris – França

8.    Zurique – Suíça

9.    Sydney – Austrália

10. Seul – Coréia do Sul

Não há como negar, portanto, que estudar na Austrália é uma excelente decisão. Mas você sabe como fazer um intercâmbio nesse país? Descubra neste artigo e comece agora mesmo a programar sua viagem.

4 Principais programas para estudar na Austrália

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Existem algumas principais formas de estudar na Austrália, desde o intercâmbio de inglês até o de pós-graduação. Em todas as modalidades, o governo garante a qualidade do ensino com base na Lei dos Serviços Educacionais para Estudantes Estrangeiros e no Código Nacional de Boas Práticas para as Autoridades de Registro e Prestadores de Educação e Formação para Estudantes Estrangeiros.

Veja quais são as formas de estudar na Austrália e descubra qual é a ideal para você.

Curso de idiomas

Nesta modalidade de intercâmbio o primeiro passo é encontrar uma instituição e um curso que estejam inscritos no Commonwealth Register of Institutions and Courses for Overseas Students (CRICOS), em português Registro de Instituições e Cursos para Estudantes Estrangeiros da Comunidade da Austrália.

Existe uma variedade de cursos de inglês, que podem ser escolhidos de acordo com a necessidade e com o objetivo do estudante. Alguns desses cursos são:

·      Cursos de Inglês Geral (English as a Second Language – ESL): o enfoque desse ensino são as habilidades linguísticas, como comunicação, gramática, leitura, escrita e audição. Seu objetivo é aprimorar a proficiência do idioma para as mais variadas finalidades. O curso é ofertado em diversos níveis, desde o elementar ao avançado, e pode ser feito em curta ou longa duração.

·      Cursos de Inglês para Fins Acadêmicos: destinado aos estrangeiros que desejam se preparar para ingressar em universidades ou em cursos profissionalizantes australianos, mas que não dominam o inglês. O foco desse tipo de curso é a fala e a escrita.

·      Cursos para Preparação para Exames: próprio para indivíduos que desejam se submeter a algum teste de proficiência de inglês, como IELTS, TOEFL, TOEIC ou Cambridge.

·      Cursos de Inglês para Ensino: voltado para estrangeiros que desejam lecionar a língua inglesa em seu país de origem.

Após a escolha da instituição e do curso, você poderá entrar em contato diretamente com a escola ou fazer o contato com uma agência para que essa possa intermediar o contato. Certifique-se, no entanto, de que a agência tenha consultores cadastrados no Qualified Education Agent Counselor, do governo australiano, e que ela seja certificada pela International Air Transport Association (IATA).

Cursos técnicos e vocacionais (Vocational Education and Training - VET)

Os cursos VET, como são conhecidos, possuem muitas aulas práticas, preparando o estudante para o mercado de trabalho. Eles são fornecidos pelas instituições públicas chamadas TAFE (Technical and Further Education Institutes) e por escolas privadas supervisionadas pelo governo a fim de garantir a qualidade e o alto padrão.

A duração dos cursos técnicos é dividida em: 6 meses (Certificate), 1 ano (Diploma) e 1 ano e meio a 2 anos (Advanced Diploma).

Nesta modalidade, o controle de qualidade é reforçado pela Autoridade Australiana de Qualidade das Habilidades (ASQA).

Para que o intercambista possa ingressar nesses cursos, é necessário ter o ensino médio completo e nota 5.5 no IELTS (General ou Academic).

Graduação

Com duração de dois a cinco anos, os cursos de bacharelado na Austrália podem ser feitos integralmente ou parcialmente por brasileiros. Como assim? É possível realizar um intercâmbio já com uma faculdade em curso no Brasil ou iniciar do zero na nação australiana.

Programas do governo e de universidades australianas, bem como de instituições de ensino e empresas brasileiras oferecem bolsas de estudo para os estudantes cursarem parcial ou integralmente uma graduação na Austrália.

Além da graduação, cursos de extensão são ofertados pelas universidades australianas. Eles são uma boa opção para quem não pode ou não quer se ausentar por muito tempo do Brasil.

No Ensino Superior, o controle de qualidade é reforçado por meio da Agência de Qualidade e Padrões de Ensino Superior (TEQSA).

Pós-Graduação

Os cursos de pós-graduação na Austrália equivalentes ao mestrado no Brasil são chamados de Master, subdivididos em: Coursework, que geralmente inclui de 12 a 16 matérias, e Research, que se assemelha mais ao mestrado brasileiro, uma vez que, além das matérias, é necessário apresentar uma tese ao final do curso.

As universidades australianas ainda oferecem cursos de pós-graduação de menor duração, nos quais o aluno escolhe as disciplinas que irá cursar. Se forem cursadas apenas 4 matérias, obtém se o diploma Graduate Certificate; se forem cursadas 8 matérias, obtém-se o Graduate Diploma.

Existe também os cursos de Doutorado PhD e os de Master of Business Administration (MBA), esses últimos procurados por profissionais com interesse em se aprofundar na área de negócios.

Além das bolsas de estudos oferecidas pelas universidades, o governo australiano possui o programa Endeavour Scholarships & Fellowships que oferece a estudantes estrangeiros a oportunidade de estudar na Austrália com as despesas pagas.

Veja algumas outras opções de bolsas de estudo na Austrália aqui

Visto de Estudante

Se o curso a ser realizado tiver duração menor do que 12 semanas, é necessário obter o Visto de Turismo. Já para cursos que durem mais de 3 meses, você precisará de um Visto de Estudante. Esse visto permite que o estudante trabalhe até 20 horas por semana durante os estudos e em tempo ilimitado nas férias.

Antes de solicitar o visto, é necessário realizar os exames de proficiência – geralmente exigidos pela maioria das modalidades de intercâmbio, obter a nota necessária e realizar uma inscrição em uma instituição de ensino australiana. No documento da “pré-matrícula” constará a duração do curso. Assim, o governo australiano saberá definir qual é o visto mais apropriado para a sua situação.

Feito isso, a instituição enviará à Embaixada da Austrália no Brasil uma Carta de Oferta (Letter of Offer). Quando a matrícula for aceita, o candidato receberá o Confirmation of Enrolment, um documento que confirma o ingresso na instituição de ensino.

É chegada, então, a hora de solicitar o visto! São vários os requisitos a serem cumpridos e documentos a serem enviados junto ao requerimento para a obtenção do Visto de Estudante. O processo é feito de forma online, inclusive o envio dos documentos, que devem ser digitalizados.

Além do preenchimento do formulário 956A, da comprovação de que o estudante terá condições financeiras de se sustentar na Austrália e da carta de intenções, os seguintes documentos podem ser solicitados: Certidão de Nascimento e/ou de Casamento, Histórico e Diplomas Escolares, Carteira Nacional de Habilitação (para quem deseja dirigir no país), contratos, atestados, comprovantes financeiros, entre outros. Para o envio desses é fundamental que todos tenham sido traduzidos para o inglês por um Tradutor Juramentado.

Para saber mais sobre os requisitos e os documentos necessários para a sua modalidade de intercâmbio, entre no site da Embaixada da Austrália no Brasil

A validade do Visto de Estudante varia de acordo com a duração do curso. Em geral, o Departamento de Imigração concede um período de férias para o estudante, algo em torno de 4 semanas, após o término dos estudos.

Estudando na Austrália

O engenheiro civil Willian Pascoal foi um dos brasileiros que resolveu estudar por um período na Austrália. Na época, Willian era aluno da Universidade Federal de Minas Gerais e viu na nação australiana a possibilidade de adquirir mais conhecimento e aprimorar o seu inglês.

Ao Blog Rodrigo Guedes ele contou como foi o processo de intercâmbio e falou um pouco da sua experiência durante os quase um ano e meio que morou e estudou na Austrália. 

Imagem: Arquivo Pessoal – Willian Pascoal

Imagem: Arquivo Pessoal – Willian Pascoal

Blog Rodrigo Guedes: Quando você foi para a Austrália?

Willian Pascoal: Em outubro de 2015. Fiquei lá por 14 meses.

Blog Rodrigo Guedes: Como foram os trâmites para conseguir o intercâmbio?

Willian Pascoal: Eu fui pelo Ciência sem Fronteiras, extinto programa do Governo Federal. Por meio dele, estudantes universitários podiam realizar intercâmbio para vários países no intuito de conhecer novos sistemas de ensino e contribuir para o crescimento tecnológico e científico do país.

Além de alguns requisitos que deveriam ser atendidos, como ser brasileiro, estar regularmente matriculado em uma Instituição de Ensino Superior no Brasil em cursos que estivessem relacionados às áreas prioritárias do programa, possuir bom desempenho acadêmico, entre outros, eu deveria ter, de acordo com o meu edital, proficiência mínima exigida pela instituição para a qual eu me candidatei. Eu havia me candidatado para a University of South Australia, em Adelaide, no Sul da Austrália, que me exigia uma pontuação mínima de 35 pontos no TOEFL iBT.

Blog Rodrigo Guedes: Foi difícil conseguir?

Willian Pascoal: Como eu atendia a todos os pré-requisitos, foi bem tranquila a aprovação.

Blog Rodrigo Guedes: Onde você morou?

Willian Pascoal: Em uma república que havia brasileiros e estrangeiros.

Blog Rodrigo Guedes: E o que você achou da Austrália?

Willian Pascoal: Gostei muito! Os australianos são bastante receptivos e amigáveis. Fiz alguns bons amigos lá. Gostei muito das belezas naturais do país, além de aproveitar bastante a experiência universitária que tive durante o programa.

Blog Rodrigo Guedes: O que você mais destacaria do país?

Willian Pascoal: As belezas naturais e a fauna, que são únicas, me encantaram. Além disso, o modo como as instituições e os serviços públicos, como transporte, saúde e educação funcionam é admirável.

Blog Rodrigo Guedes: Como foi a experiência para o seu inglês?

Willian Pascoal: Foi ótima! Meu inglês era bem básico. Minha nota no TOEFL foi 55 pontos em um total de 120. O programa para o meu edital e instituição oferecia um curso de inglês para fins acadêmicos. Eram 5 meses de curso para os bolsistas que tivessem proficiência entre 35 e 55 e 3 meses para os bolsistas que tivessem nota entra 55 e 80, que foi o meu caso. Para os bolsistas com nota acima de 80, o ingresso na universidade era imediato.

O curso de inglês me ajudou muito, mas a imersão no idioma foi, sem dúvidas, a maior responsável pela minha evolução.

Blog Rodrigo Guedes: Tem vontade de voltar?

Willian Pascoal: Tenho sim, ainda mais considerando que o mercado de trabalho para minha área não está em um bom momento aqui no Brasil.

Blog Rodrigo Guedes: Se você quiser voltar para morar, quais os procedimentos devem ser feitos?

Willian Pascoal: No meu caso existe uma especialidade de visto, o 456, que permite que recém-formados em engenharia em instituições de ensino reconhecidas pelo governo australiano possam trabalhar no país por até 18 meses. E a UFMG é uma instituição reconhecida.

Além disso, é preciso ter menos de 31 anos, não ter tido um visto de subclasse 476 ou 485 e ter capacidade de falar inglês.

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E se você também tem vontade de estudar na Austrália, conte conosco para traduzir os seus documentos e te ajudar a realizar esse sonho!

Rodrigo Guedes